“JOVEM ADULTA” A 27 DE ABRIL

“Jovem Adulta” é uma divertida comédia “negra”, que nos conta a história de Mavis Gray (Charlize Theron), uma escritora de literatura juvenil a viver uma crise de inspiração e recém-saída de uma relação fracassada. Ela resolve voltar à sua pequena cidade com um objectivo muito preciso: reconquistar Buddy Slade (Patrick Wilson), o seu amor de liceu. Mas este é casado e encontra-se a atravessar uma boa fase da sua vida. Contudo, Mavis não vai desistir de o conquistar… Cineclube de Amarante Santa Luzia (por baixo dos CTT) Dia 27 de Abril Às 21h30 Jovem Adulta Nome Original: Young Adult De: Jason Reitman Com: Charlize Theron, Patton Oswalt, Patrick Wilson Género: Comédia Dramática EUA, 2011, Cores, 93 min. Site Oficial: http://www.youngadultmovie.com/

“OS DESCENDENTES” – 13 DE ABRIL




Nomeado para cinco óscares, o filme “Os Descendentes” conta com George Clooney na pele de Matt King, que sempre foi considerado um dos homens mais afortunados do Havai.
Quando, após um acidente de barco, a sua mulher fica em estado vegetativo, tudo parece perder o sentido. Em desespero e sem saber o que fazer, decide investir na relação com as filhas Scottie (Amara Miller) e Alexandra (Shailene Woodley), com quem sempre manteve uma relação difícil. Tudo ganha novos contornos quando Alexandra lhe revela que, na altura do acidente, a sua mãe mantinha uma relação extra-conjugal com outro homem.
“Os Descendentes” é uma comédia dramática realizada por Alexander Payne e baseada na primeira obra da escritora Kaui Hart Hemmings.

Cineclube de Amarante
Santa Luzia (por baixo dos CTT)
Os Descendentes – 13 de Abril às 21h30
De: Alexander Payne
Com: George Clooney, Shailene Woodley, Amara Miller
Género: Drama, Comédia
Classificação: M/12
EUA, 2011, Cores, 115 min
Site oficial: http://www.foxsearchlight.com/thedescendants/
Trailer: http://youtu.be/6PVc012bL38

EM ABRIL




Dia 05 (5ª feira)
As Serviçais
Título original: The Help
De:Tate Taylor
Com:Emma Stone, Viola Davis, Octavia Spencer
Género:Drama
Classificação:M/12
EUA/Índia, 2011, Cores, 146 min
Site oficial: http://thehelpmovie.com/us/
Estreia nacional: 5 de outubro de 2011

Dia 13
Os Descendentes
Título original: The Descendants
De:Alexander Payne
Com:George Clooney, Shailene Woodley, Amara Miller
Género:Drama, Comédia
Classificação:M/12
EUA, 2011, Cores, 115 min
Site oficial: http://www.foxsearchlight.com/thedescendants/
Estreia nacional: 19 de janeiro de 2012

Dia 20
Uma noite com Luís Vieira Campos
O realizador Luís Vieira Campos estará connosco para apresentar o seu filme DIA DE VISITA.
Blog da produtora do filme: http://filmesliberdade.blogspot.pt/
Trailer: http://youtu.be/ML681sd6774

Dia 27
Jovem Adulta
Título original: Young Adult
De:Jason Reitman
Com:Charlize Theron, Patton Oswalt, Patrick Wilson
Género:Comédia Dramática
Classificação:M/12
EUA, 2011, Cores, 93 min
Site Oficial: http://www.youngadultmovie.com/
Estreia nacional: 2 de fevereiro de 2012

“AS SERVIÇAIS” NO CINECLUBE DE AMARANTE – 5 DE ABRIL




“As Serviçais” – filme inspirado no best-seller Kathryn Stpckett – transporta-nos para a década de 1960 no estado sulista do Mississípi. Ali ficamos a conhecer Skeeter (Emma Stone), que após concluir a Universidade decide cumprir o sonho de se tornar escritora.
De regresso à sua cidade natal, Skeeter tenta rever Clementine, a governanta negra que a criou. Para isso pede ajuda a Aibileen e Minny, ambas governantas. Entre as três nasce uma grande cumplicidade e um projeto inédito: um livro onde são contadas, na primeira pessoa, as histórias de mulheres que, apesar de criarem as crianças das famílias brancas como se fossem suas, são ostracizadas devido à cor da sua pele.

Cineclube de Amarante
Santa Luzia (por baixo dos CTT)
Às 21h30
05 de Abril
As Serviçais

Nome Original: The Help
De: Tate Taylor
Com: Emma Stone, Viola Davis, Octavia Spencer
Género: Drama
EUA/Índia, 2011, Cores, 146 min.

FILME “INQUIETOS” - UMA HISTÓRIA DE ENCONTROS - 30 DE MARÇO




Este filme do reputado realizador Gus Van Sant (“Milk”, “O Bom Rebelde”) retrata a história de um Enoch, um melancólico rapaz que fantasia acerca de um amigo imaginário falecido na II Guerra e tem o hábito de ir a funerais de desconhecidos.
Num desses funerais, conhece Annabel, uma rapariga alegre que sofre de um tumor no cérebro e que tem apenas mais três meses de vida. Contra todas as expectativas, os dois apaixonam-se profundamente...

Cineclube de Amarante
Santa Luzia (por baixo dos CTT)
Às 21h30
30 de Março
Inquietos, de Gus Van Sant
Com: Mia Wasikowska, Henry Hopper, Ryo Kase
Género: Drama
EUA, 2011, 91 min.
Trailer: http://youtu.be/CP6rar2AOYg

CINECLUBE DE AMARANTE EXIBE THRILLER "DRIVE" A 23 DE MARÇO




Em “Drive”, o actor Ryan Gosling – vimo-lo recentemente, em Amarante, no filme “Nos Idos de Março” – interpreta um exímio condutor de automóveis que tem dois trabalhos: durante o dia é duplo de cinema; à noite transforma-se em motorista de um gangue.
Mantém, contudo, a regra de nunca tomar parte activa nos assaltos, limitando-se a conduzir.
Mas irá ter que ir contra o seu próprio código para ajudar Irene (Carey Mulligan) - uma jovem por quem se apaixonou -, acabando por isso com a cabeça a prémiohttp://www.blogger.com/img/blank.gif.

Cineclube de Amarante
Santa Luzia (por baixo dos CTT)
Às 21h30
23 de Março
Drive – Risco Duplo
De: Nicolas Winding Refn
Com: Ryan Gosling, Carey Mulligan, Bryan Cranston, Oscar Isaac
Género: Drama, Thriller
EUA, 2011, 100 min.
Trailer: http://youtu.be/hrQeOIyYMr4

O IRÃO VISTO NUM JOGO DE FUTEBOL – CINECLUBE DE AMARANTE – 16 DE MARÇO




O filme “Offside” (Urso de Prata em Berlim em 2006) foi o último realizado por Jafar Panahi antes que as autoridades iranianas o censurassem por motivos políticos.
Neste filme, inspirado num evento real sucedido com a filha de Panahi, vemos a forma como as mulheres iranianas estão impedidas de entrar em estádios de futebol. Ainda assim, em todos os jogos, algumas mais ousadas disfarçam-se de homens e fazem de tudo para enganar a polícia de costumes iraniana. Hoje, uma rapariga é detida à entrada e vai ter que encarar a sua própria condição e arranjar subterfúgios para enganar as autoridades.

Cineclube de Amarante
Santa Luzia (por baixo dos CTT)
Às 21h30
16 de Março
Offside – Fora de Jogo
De: Jafar Panahi
Com: Sima Mobarak-Shahi, Safar Samandar, Shayesteh Irani
Género: Comédia Dramática
Irão, 86 min.

http://www.traileraddict.com/trailer/offside/trailer

A POLÍTICA AMERICANA SEGUNDO GEORGE CLOONEY – 9 de Março




Realizado por Clooney (que interpreta também um dos principais papeis) e com Ryan Gosling e Philip Seymour Hoffman em destaque, “Nos Idos de Março” retrata o interior do mundo da política americana.
Stephen Meyers (Ryan Gosling) é o consultor de campanha do governador Mike Morris (George Clooney), que se prepara para a corrida às presidenciais dos EUA. Decidido em fazer vencer quem ele acredita sinceramente ser o melhor representante do seu país, Stephen está totalmente comprometido naquela campanha. Porém, dada a manipulação e artifícios que se multiplicam ao seu redor, o homem vai ter de encarar a realidade a frio e mudar a sua maneira de ver os homens e o seu trabalho. O filme inspira-se na peça “Farragut North” (2008), escrita por Beau Willimon com base na campanha às presenciais de 2004 do democrata norte-americano Howard Dean.

Nos Idos de Março – 9 de Março às 21h30
Título original: The Ides of March
De: George Clooney
Com: Ryan Gosling, George Clooney, Philip Seymour Hoffman
Género: Drama
Classificação: M/12
Outros dados: EUA, 2011, Cores, 99 min.
Trailer: http://youtu.be/T0wNtssevVs

CARDÁPIO PARA MARÇO




Dia 02
A Pele Onde Eu Vivo
Título original:La Piel Que Habito
De:Pedro Almodóvar
Com:Antonio Banderas, Elena Anaya, Marisa Paredes, Jan Cornet
Género:Drama, Thriller
Classificação:M/16
ESP/EUA, 2011, Cores, 120 min.
Site Oficial: http://www.sonyclassics.com/theskinilivein/
Trailer: http://youtu.be/-Xrq6ytoqVk
Estreia nacional: 17 de Novembro de 2011


Dia 09
Nos Idos de Março
Título original:The Ides of March
De:George Clooney
Com:Ryan Gosling, George Clooney, Philip Seymour Hoffman, Paul Giamatti, Evan Rachel Wood
Género:Drama
Classificação:M/12
Outros dados:EUA, 2011, Cores, 99 min.
Trailer: http://youtu.be/T0wNtssevVs
Estreia nacional: 10 de Novembro de 2011


Dia 16
OFFSIDE-Fora de Jogo
Título original:Offside
De:Jafar Panahi
Com:Sima Mobarak-Shahi, Safar Samandar, Shayesteh Irani
Género:Comédia Dramática
Classificação:M/12
Outros dados:Irão, 2006, Cores, 86 min.
Estreia nacional: 03 de Novembro de 2011
Site Oficial: http://www.sonyclassics.com/offside/
Trailer: http://www.traileraddict.com/trailer/offside/trailer


Dia 23
Drive – Risco Duplo
Título original:Drive
De:Nicolas Winding Refn
Com:Ryan Gosling, Carey Mulligan, Bryan Cranston, Oscar Isaac, Albert Brooks
Género:Drama, Thriller
Classificação:M/16
Outros dados:EUA, 2011, Cores, 100 min.
Estreia nacional: 08 de Dezembro de 2011
Trailer: http://youtu.be/hrQeOIyYMr4


Dia 30
Inquietos
Título original: Restless
De:Gus Van Sant
Com:Mia Wasikowska, Henry Hopper, Ryo Kase
Género:Drama
Classificação:M/12
Outros dados:EUA, 2011, Cores, 91 min.
Trailer: http://youtu.be/CP6rar2AOYg
Estreia nacional: 10 de Novembro de 2011

“AS QUATRO VOLTAS” - CINEMA ITALIANO EM AMARANTE – 24 FEV.


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Este filme rodado em Itália, Alemanha e Suíça conta-nos a história de um pastor idoso e doente, que aguarda o fim dos seus dias numa aldeia remota da Calhttp://www.blogger.com/img/blank.gifábria, no sul da Itália. Naquele lughttp://www.blogger.com/img/blank.gifar abandonado e congelado no tempo, a Natureza não conhece hierarquias. Para o provar, a proximidade dos animais ou das árvores e das plantas dançando ao vento, evoca a união entre todos.

Ver trailer.

Ver crítica.

Cineclube de Amarante
Santa Luzia (por baixo dos CTT)
As Quatro Voltas – 24 de Fevereiro às 21h30
De: Michelangelo Frammartino
Com: Giuseppe Fuda, Nazareno Timpano, Bruno Timpano
Género: Drama
Cores, 88 min.

REALIZADOR JOSÉ BARAHONA APRESENTA DOIS FILMES EM AMARANTE - 17 DE FEVEREIRO




O realizador de cinema português José Barahona visita a nossa cidade a 17 de Fevereiro a convite do Cineclube de Amarante, para apresentar dois filmes da sua autoria: e a curta-metragem “A Pastoral”.
“O Manuscrito Perdido”, o filme que merece mais destaque, traça a partir da personagem queirosiana de Fradique Mendes, uma reflexão sobre a presença portuguesa no Brasil, tocando temas como a escravatura ou as relações com os índios. É, na prática um filme sobre a lusofonia como refere José Eduardo Agualusa: “O "Manuscrito Perdido" é um jogo inteligente e divertido sobre as trocas culturais no vasto mundo da língua portuguesa”.

Cineclube de Amarante
Santa Luzia (por baixo dos CTT)
Dia 17 de Fevereiro a partir das 21h30, com a presença do realizador

O Manuscrito Perdido

Sinopse

Dizem que no Mosteiro de Cairu, uma pequena cidade a sul de Salvador, existe um manuscrito perdido de Fradique Mendes. Fradique foi um poeta e aventureiro português, amigo de Eça de Queiroz, que se instalara na região no final século XIX. Por ter libertado todos os seus escravos, foi odiado e perseguido pelos esclavagistas brasileiros. Na urgência da fuga, terá deixado em Cairu este manuscrito que reflectia sobre as origens da sociedade brasileira e se pronunciava sobre algumas questões sociais da época: os expatriados, a escravatura, e as lutas dos índios. O filme parte em busca do manuscrito e refaz a viagem de Fradique Mendes na sua fuga, visitando alguns lugares que podem hoje fazer luz sobre estas mesmas questões: as comunidades dos descendentes dos escravos africanos, as aldeias indígenas onde Cabral primeiro chegou, e os acampamentos dos sem terra. No fundo grupos sociais que têm em comum algo com mais de 500 anos: a luta pela liberdade através da luta pela posse da terra.

O "Manuscrito Perdido" é um jogo inteligente e divertido sobre as trocas culturais no vasto mundo da língua portuguesa. Quase uma ficção disfarçada de documentário. Quase um documentário disfarçado de ficção. A jornada que se propôe talvez seja, afinal, uma das soluções, senão a única solução, para o futuro do cinema português: a redescoberta do Brasil pelos portugueses, a redescoberta de Portugal e das Áfricas, pelo Brasil. A possibilidade de um cinema comum.

José Eduardo Agualusa

Trailer: http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=HphvnH0wAA8

Crónica de Alexandra Lucas Coelho na abertura da 15ª Mostra Internacional do Filme Etnográfico, no Rio de Janeiro http://blogues.publico.pt/atlantico-sul/2011/11/26/o-manuscrito-perdido/

A Pastoral
Preto e Branco, 25 minutos, 2004.
Com Micaela Cardoso, João Miguél Rodrigues, e João Lagarto.
Argumento: José Barahona e Francisco Luis Parreira.
Fotografia:Leonardo Simões
Som: Emidio Buchinho
Montagem: Patricia Saramago
Melhor Curta Metragem, Caminhos do Cinema Português, Coimbra, 2005.
Menção Honrosa, Fantasporto 2005.

10 DE FEVEREIRO - TERÇA DEPOIS DO NATAL




Este filme romeno conta-nos a história de Paulo e Adriana, um casal que está junto há dez anos e tem uma filha de oito anos, de seu nome Mara. Apesar da aparente felicidade, Paulo mantém uma relação extraconjugal com a jovem dentista da sua filha. E mesmo ocupado com os últimos preparativos antes do Natal, os problemas da filha e a relação com a esposa, decide fazer uma visita ao consultório de Raluca, onde inesperadamente, encontra Adriana. É o momento em que ambas se encontram pela primeira vez. Apesar de não originar um confronto entre os três, esta circunstância faz com que Paulo perceba que tem de tomar uma decisão definitiva: escolher a segurança de uma relação de dez anos ou o risco de uma paixão que pode deitar tudo a perder.

Cineclube de Amarante
Às 21h30
Santa Luzia (por baixo dos CTT)
“Terça, depois do Natal”
De: Radu Muntean
Com: Mimi Branescu, Mirela Oprisor, Maria Popistasu
Género:Drama
Classificação:M/16
Cores, 99 min
Trailer: http://vimeo.com/clapfilmes/tercadepoisdonatal
Estreia nacional: 13 de Outubro de 2011

17 Junho - O discurso do Rei


Título original: The King's Speech

De: Tom Hooper

Com: Colin Firth, Geoffrey Rush , Helena Bonham Carter, Guy Pearce, Timothy Spall
Género: Drama, Biografia
Classificação: M/12
Origem: GB/EUA/Austrália
Ano: 2010
Cores, 118 min
SiteSite




12 Nomeações para os Óscares 2011:
(A negrito os 4 Óscares que o filme venceu)
* MELHOR FILME
* MELHOR REALIZAÇÃO (Tom Hooper)
* MELHOR ACTOR PRINCIPAL (Colin Firth)
* MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO (Geoffrey Rush)
* MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA (Helena Bonham Carter)
* MELHOR ARGUMENTO ORIGINAL
* MELHOR DIRECÇÃO ARTÍSTICA
* MELHOR FOTOGRAFIA
* MELHOR MONTAGEM
* MELHOR BANDA SONORA
* MELHOR GUARDA-ROUPA
* MELHOR MISTURA DE SOM

Desde os cinco anos que Bertie (Colin Firth), Duque de York e segundo filho do rei Jorge V de Inglaterra (Michael Gambon), sofre de gaguez, algo que sempre abalou a sua auto-estima. Depois do embaraçoso discurso de encerramento da Exposição do Império Britânico em Wembley, a 31 de Outubro de 1925, Bertie, pressionado por Isabel (Helena Bonham Carter), futura rainha-mãe e sua esposa, começa a consultar Lionel Logue (Geoffrey Rush), um terapeuta da fala pouco convencional. Em Janeiro de 1936, o rei Jorge V morre e é o seu irmão Eduardo quem ascende ao trono até, menos de um ano depois, abdicar por amor a uma americana divorciada em favor de Bertie. Hesitante perante o peso da responsabilidade e obcecado em ser monarca digno do reino, o novo rei apoia-se em Logue, que o ajuda a superar a gaguez... Realizado por Tom Hooper ("Maldito United"), "O Discurso do Rei" inspira-se na história verídica do rei Jorge VI.

9 Junho, 5ª-feira - 16º Aniversário do Cineclube e o filme: A Cidade dos Mortos


Título original: A Cidade dos Mortos

De: Sérgio Tréfaut


Género: Documentário
Classificação: M/12
Origem: POR/ESP
Ano: 2009
Cores, 62 min
Site


A Cidade dos Mortos, no Cairo, é a maior necrópole do mundo.
Um milhão de pessoas vive dentro do cemitério – em casas tumulares ou nos edifícios que cresceram em redor. Dentro do cemitério há de tudo: padarias, cafés, escolas para as crianças, teatros de fantoches...
A Cidade dos Mortos estende-se por mais de dez quilómetros ao longo de uma auto-estrada, mas não deixa de ser uma aldeia, com mães à caça de um bom partido para as filhas, rapazes a correr atrás das raparigas, disputas entre vizinhos.
Preparado e rodado ao longo de cinco anos (2004-2009), este filme procura dar a ver a alma invisível do cemitério.


Dados biográficos
Sérgio Tréfaut nasceu no Brasil em 1965, filho de pai português e de mãe francesa. Estudou filosofia na Sorbonne (Paris I) e começou a sua vida profissional em Lisboa, nos anos 90, como jornalista e assistente de autores como Teresa Villaverde, José Álvaro de Moraes e António Campos.
Desde há 15 anos é produtor e realizador. Os seus documentários foram exibidos em mais de 30 países e receberam diversos prémios internacionais. Destacam-se Outro País (1999), Fleurette (2002), Lisboetas (2005) e A Cidade dos Mortos (2009). Lisboetas foi o primeiro documentário português a estar três meses consecutivos em cartaz no circuito comercial e detém ainda hoje o recorde de espectadores por sala de cinema.

Comentários
«Sérgio Tréfaut manifesta uma capacidade ímpar de olhar para outras culturas, observando-as e mostrando-as de tal forma que os espectadores dos seus filmes quase alcançam uma experiência pessoal dos mundos que ele visita... O material de que são feitas as lentes das suas objectivas é um assinalável humanismo cosmopolita. É um privilégio poder-se ver este cinema.»
Manuel Mira Godinho,Professor Catedrático no Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa

«Magnífico»
Eurico de Barros, Diário de Notícias

«Um cemitério cheio de vida. Onde os vivos dormem com os mortos. E comem, e namoram, e têm filhos, e crescem, e vêem televisão.»
Ana Margarida Carvalho, Visão

«Algo próximo de um certo neo-realismo fantasista: aquela sequência em que o circo chega ao cemitério não podia vir de "La Strada", de Fellini?»
Vasco Câmara, Ípsilon


Dossier de imprensa
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Foi no dia 9 de Junho de 1995 que o Cineclube de Amarante promoveu a sua primeira sessão. Desde esse dia, com maior ou menor dificuldade, projectámos perto de 1000 filmes em mais de 1300 sessões. Efectuámos acções de formação, exposições, promovemos encontros com realizadores e actores, fizemos O Cinema ao Luar, trabalhámos em conjunto com as Escolas do Concelho e por aí adiante. Normal e nada de mais.
A partir daqui nada será igual.
A projecção digital é um facto. Até ao final do ano prevê-se que 99% das salas de cinema comercial estejam equipadas para a projecção digital. Inevitavelmente, deixa de haver cópias em 35mm (a película em que vemos os filme agora) e nós deixaremos de ter filmes para exibir. Falaremos deste assunto.
Adiante que o dia é de festa.
Para comemorarmos o 16º aniversário, na próxima 5ª feira, brindaremos (com espumante nacional, claro) na presença do realizador Sérgio Tréfaut que apresentará o seu último filme, A Cidade dos Mortos.
Peço-vos que dediquem uns minutos do vosso tempo a ver o site oficial do filmee apareçam para o ver, conversar com o Sérgio, comer uma fatia de bolo (produção caseira a cargo dos cineclubistas mais habilidosos) e beber um copo. A entrada é livre para todos.

Manuel Carvalho.

27 Maio - Indomável


Título original: True Grit

De: Joel Coen, Ethan Coen

Com: Jeff Bridges, Matt Damon, Josh Brolin, Hailee Steinfeld
Género: Western
Classificação: M/12
Origem: EUA
Ano: 2010
Cores, 110 min
Site


Mattie Ross (Hailee Steinfeld) tem 14 anos e uma personalidade invejável. Depois do assassinato do seu pai pelo traidor Tom Chaney (Josh Brolin), seu empregado, ela jura vingar-se. Para isso contrata Rooster Cogburn (Jeff Bridges), um marshal alcoólico, famoso pelos seus métodos impiedosos mas muito eficazes. Mas Tom tem também no seu encalço LaBoeuf (Matt Damon), um ranger do Texas verborreico e arrogante, mas de grande determinação, que acaba por se juntar a Mattie e Rooster na caça ao homem. Mas a relação entre os três será difícil e, também por isso, muitas cabeças irão rolar... Realizado pelos irmãos Coen, uma readaptação do romance "True Grit", escrito por Charles Portis com o Oeste americano como pano de fundo. Henry Hathaway adaptou, em 1969, o livro ao cinema com John Wayne, Robert Duvall e Dennis Hopper nos principais papéis valendo o Óscar a Wayne. Nomeado para dez Óscares, entre os quais melhores filme, realizador, actor (Bridges), actriz secundária (Steinfeld) e argumento adaptado (Ethan e Joel Coen)

Mário Jorge Torres, in PÚBLICO
Uma brilhante demonstração de virtuosismo, fria e letal como uma faca no tecido formal de um cinema autoreflexivo

O universo fílmico dos irmãos Joel e Ethan Coen passa inúmeras vezes por uma reescrita pessoal da memória do cinema clássico, por uma reelaboração do que resta do conceito de género, deixando quase sempre pistas de reconhecimento, numa estratégia pós-modernista de pastiche e (ou) de paródia. Foi assim com o opus 1, "Sangue por Sangue" (1984), a transformar vestígios de Hitchcock num objecto autoreflexivo, com "Histórias de Gangsters" (1990), fornecendo bastos motivos de análise abstracta da violência no filme de gangsters, depois da aventura atmosférica do "film noir", ou com "Fargo" (1996), parodiando o "crime movie" numa zona em que "thriller" e comédia se cruzam em perigosa consonância. Mesmo objectos mais "inqualificáveis" revelavam estranhas rimas com o passado filtrado por uma fina rede de referências: "Barton Fink" (1991) construía uma homenagem surrealizante ao filme de terror, numa dimensão de paranóia; "O Grande Salto" (1994) evocava em filigrana um Capra fora de contexto; "Irmão, Onde Estás" (2000) reaproveitava o título do filme ficcional do início de "Sullivan''s Travels" (Preston Sturges, 1941) para visitar o "filme de prisão", em jeito de Odisseia moderna; para já não mencionar a paródia das paródias, "Arizona Júnior" (1987), algures entre o burlesco e os resquícios do "thriller". Em toda a sua obra evidencia-se, pois, o gosto pela textualidade de segunda instância, exigindo do espectador chaves sucessivas de interpretação e apostando na elaboração sistemática e sofisticada de sinais, num formalismo pensado ao milímetro.
Agora chega a vez de os irmãos abordarem o "western", sempre do modo como reflectem sobre a verdade dos géneros, com a imensa distância que se impõe por diversas razões: primeiro, trata-se de um género morto e enterrado, com sucessivas certidões de óbito: depois de "Imperdoável" de Eastwood já não há hipóteses de heroicidade ou de vertente épica, ou seja, resta sobretudo o grafismo e as situações extremas, em que os tropos se acumulam numa espécie de vertigem sem sentido. Em segundo lugar, "Indomável" ("True Grit" no original, tal como na novela de partida, de Charles Portis, baseada num episódio verídico, exercício complexo de "non fiction" romanceada) assume uma outra mediação: é um "remake" explícito de "Velha Raposa" (1969), já de si um "western" moribundo, criado por uma das "velhas raposas" de Hollywood, Henry Hathaway, para o carisma final de uma das estrelas incontornáveis do género, John Wayne, em constante caricatura dos seus tiques, apesar de ter sido levado a sério, o que prova o Óscar de melhor actor que coroou a sua rábula, bem como a existência de uma famigerada sequela "Rooster Cogburn/O Sheriff" (Stuart Millar, 1975), juntando Wayne a outras das glórias do passado, também ela em registo caricatural, Katharine Hepburn.
Estamos, pois, perante um objecto esquisito que regressa a um género extinto por via de um labirinto de referências intra-cinematográficas: se "Velha Raposa" já se perfilava como uma paródia de personagens e de actores, "Indomável" é uma paródia de uma paródia, um divertimento quase autosuficiente, destinado a congelar características discerníveis de um discurso ultrapassado, escrito (apetecia dizer "sobre-escrito") com a plena consciência disso. Se algo avulta neste exercício de estilo é, precisamente, a perda de qualquer inocência, apesar do imenso cuidado na escolha da jovem actriz (uma belicosa Hailee Steinfeld, vinda da televisão), para encarnar a adolescente que procura um vingador para a morte do pai. Assim, o "western" de vingança desdobra-se em previsíveis peripécias de perseguições e tiroteios, sempre desenhados com o distanciamento do pastiche e ancorados na memória de John Wayne, o que não constitui defeito (mas feitio), uma vez que os Coen nunca pretendem construir emoção, aspirando antes a um jogo de gato e rato com o espectador prevenido.

Contudo, onde a aposta atingia o paroxismo era na escolha do actor que substituiria Wayne, de tal modo se exigia uma "persona" forte e diversa: Jeff Bridges ganha a batalha, porque resiste à emulação e faz de si próprio, com a dignidade que a sua longa carreira lhe confere e o mais espantoso passa pela secura que consegue transmitir ao seu anti-herói. Mais: se ainda houvesse "western" este seria um bom exemplo de encadeamento narrativo, de formulação de propostas formais arrojadas e inovadoras. Os Coen filmam impecavelmente com a noção irrepreensível do espaço, dos longos planos de grua, da articulação dos conjuntos: veja-se a magnífica sequência em que Matt Damon (uma importantíssima mais-valia) alveja de longe os bandidos, ou a preciosa encenação do ataque à cabana com a jovem no telhado e Bridges escondido cá fora, reformulando, de forma precisa, a modernização necessária do campo/contracampo.
Por tudo isto, "Indomável" constitui um prazer para os olhos e para a mente, fazendo da racionalidade o seu código, embora longe do soco no estômago que tornava "Este País Não É para Velhos" porventura a obra-prima dos Coen. Pelo contrário, este post-"western" assume-se como o que é, na verdade: uma brilhante demonstração de virtuosismo, fria e letal como uma faca no tecido formal de um cinema questionador e autoreflexivo.

20 Maio - Somewhere - Algures


Título original: Somewhere

De: Sofia Coppola

Com: Stephen Dorff, Elle Fanning
Género: Drama, Comédia
Classificação: M/12
Origem: ITA/FRA/EUA/JAP
Ano: 2010
Cores, 95 min
Site


Johnny Marco (Stephen Dorff) é uma típica estrela de cinema de Hollywood: vive no Chateau Marmont, um luxuoso hotel em Los Angeles, tem um carro topo de gama, mulheres belíssimas à sua volta e uma vida cheia de glamour. Até a ex-mulher deixar ao seu cuidado, e por tempo indeterminado, Cleo, a sua filha de 11 anos (Elle Fanning, irmã mais nova de Dakota Fanning). Este reencontro com a menina que, apesar da idade, demonstra uma grande maturidade, vai ser um momento de viragem para Johnny que sente necessidade de repensar a forma como tem vivido a sua vida. Com argumento e realização de Sofia Coppola ("Lost in Translation"), "Somewhere" foi o filme vencedor da 67ª edição da Mostra Internacional de Arte Cinematográfica de Veneza.

Jorge Mourinha, in PÚBLICO
"Algures" não traz nada de novo ao cinema de Sofia Coppola, mas os seus segredos não se revelam imediatamente
Ponto prévio: não se venha a "Algures" à espera de "Lost in Translation nº 2". As expectativas são inevitáveis - queremos sempre regressar ao lugar onde fomos felizes... - mas é tarefa vã: por natureza, um momento de graça é irrepetível.
O engenho de Sofia Coppola em "Algures" é precisamente esse: dramatizar a repetição. Mostrar o que acontece quando esses momentos de felicidade se tornam num parque de diversões permanente, e se perde a noção do tempo, da realidade. "Algures" é a história de alguém que chegou onde queria e percebeu que, afinal, não era aquilo que queria.
Sim, é (outra vez) um filme sobre o nada, sobre o vazio de uma existência perfeita. Sim, é Sofia outra vez a fazer um filme de menina rica sobre meninos ricos que não sabem o que querem da vida. Podia ser a versão actualizada da "História de Nova Iorque" que o pai Francis filmou há vinte anos, podia ser uma versão moderna da "Marie Antoinette", menina rica perdida fora de pé. O Johnny Marco que Stephen Dorff cria aqui é isso: um rapaz fora de pé, que preenche o vazio dos seus dias de vedeta hollywoodiana com noitadas, bebedeiras, sexo fácil, tabaco. Até que a filha lhe cai nos braços e Johnny começa a perceber que há uma vida para lá da sua bolha.
Não sabemos bem se "Algures" é "adenda" aos três filmes anteriores de Coppola ou o abrir de um novo ciclo. Sabemos, isso sim, que é filme ainda mais depurado que os anteriores, onde ainda menos se passa e ainda mais fica por dizer. A fotografia solar de mestre Harris Savides, o olhar observacional sobre a fauna de Los Angeles, o modo como se parece "morder" gentilmente a mão que dá de comer, fazem do filme membro de pleno direito da turma de "regresso aos anos 1970" que se tem manifestado no mais interessante cinema americano recente. E não há nada de mal nisso - "Algures" é filme que se inscreve sem problemas numa genealogia e numa carreira. Isso não faz dele o melhor filme de Sofia Coppola - talvez porque, de facto, haja uma sensação de "rodar em seco" (que a própria cineasta comenta no plano de abertura) - mas faz dele um objecto sedutoramente intrigante, uma espécie de écrã branco onde cada um poderá projectar o que bem entender.
Não se venha aqui à espera daquilo que "Algures" não pode ser. Mas, se se deixarem os preconceitos à porta, pode-se encontrar nele muito mais do que se poderia esperar.

13 Maio - Despojos de Inverno


Título original: Winter's Bone

De: Debra Granik

Com: Jennifer Lawrence, John Hawkes, Kevin Breznahan, Dale Dickey, Garret Dillahunt
Género: Drama
Classificação: M/12
Origem: EUA
Ano: 2010
Cores, 99 min
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Vencedor do Grande Prémio do Júri e o Prémio de argumento no Festival de Cinema de Sundance 2010

Nomeações para os Óscares 2011 (4) * MELHOR FILME * MELHOR ACTRIZ PRINCIPAL (Jennifer Lawrence) * MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO (John Hawkes) * MELHOR ARGUMENTO ADAPTADO


A viver nas montanhas Ozark, no estado norte-americano do Missouri, com um pai traficante de drogas e uma mãe incapacitada devido a uma depressão profunda, Ree Dolly (Jennifer Lawrence), de 17 anos, é a alma da família e o único apoio de Sonny (Isaiah Stone) e Ashlee (Ashlee Thompson), os seus irmãos mais novos. O seu pai, depois de dar a casa como fiança num negócio obscuro, desapareceu sem deixar rasto e é procurado pela polícia. Agora, para não perder a casa onde vive, Ree terá de encontrar o pai, nem que para isso tenha de percorrer todos os recantos das montanhas. Nessa busca incessante pelos lugares prováveis e improváveis, todos a tentam dissuadir, mas a rapariga tem um único objectivo em mente: proteger a sua família, custe o que custar.

Jorge Mourinha, in PÚBLICO

Costuma dizer-se que "mais vale cair em graça do que ser engraçado" - e a segunda longa-metragem de Debra Granik, uma das sensações do cinema independente americano de 2010 e um dos "outsiders" dos Óscares 2011 com quatro nomeações, é um bom exemplo disso, inscrevendo-se sem esforço na linhagem "rural" da qual fitas como "Ballast", de Lance Hammer, ou "Histórias de Caçadeira", de Jeff Nichols, são bons exemplos.


Em "Despojos de Inverno", ambientado nas montanhas Ozark na fronteira entre os estados de Missouri e Arkansas, uma miúda de 17 anos que um pai ausente e uma mãe doente e catatónica já forçou a tornar-se na mulher da casa vê-se obrigada a descobrir o que aconteceu ao pai para impedir que as autoridades a expulsem da casa - nem que para isso tenha de enfrentar o código de silêncio dos clãs da zona, para os quais as únicas saídas para sobreviver no meio da pobreza são o serviço militar ou o crime. Granik conjuga um olhar atento, e nada condescendente, sobre uma comunidade que parece saída do fundo dos tempos com uma estrutura discreta e fluida de "thriller", mas "Despojos de Inverno" é ainda filme um bocadinho "tolhido", ao qual falta um pouco mais de confiança para "descolar" de algum convencionalismo formal e, sobretudo, de uma certa indecisão no rumo a dar à história. Isso não nos deve distrair do facto de "Despojos de Inverno" ser um bom filme, inteligente, sério, atento - mas é pena que seja precisamente este o filme que "caiu em graça" junto da crítica internacional, quando "Ballast" ou "Histórias de Caçadeira", que lhe são grandemente superiores dentro da mesma estética, pouco ou nenhum impacto tiveram...

6 Maio - O Mágico (2 sessões: 15: 30 e 21:30)


Título original: L'illusionniste

De: Sylvain Chomet

Com: Jean-Claude Donda (voz), Eilidh Rankin (voz)
Género: Drama, Animação, Comédia
Classificação: M/12
Origem: GB/FRA
Ano: 2010
Cores, 79 min
Site


Se até aos anos 50 o "music hall" tinha um enorme peso no mundo do espectáculo, a partir dos finais dessa década, especialmente com a aparição do rock e das super estrelas da música, o interesse do público começa a mudar de direcção. E é assim que o nosso mágico percebe que a sua actividade como ilusionista está em perigo e que, se nada fizer contra isso, cairá na miséria como tantos outros artistas de renome. Por esse motivo abandona os grandes salões de Paris e segue o seu rumo em direcção à Escócia onde encontra Alice, uma rapariga muito especial que mudará toda a sua forma de viver. Um filme de animação realizado por Sylvain Chomet ("Belleville Rendez-Vous" nomeado para Óscar em 2004) a partir de um argumento original de Jacques Tati, escrito em 1956 em forma de uma carta a Helga Marie-Jeanne Schiel, sua filha bastarda. Nomeado para melhor filme de animação para os Globos de Ouro na edição de 2011 (cuja cerimónia decorrerá a 16 de Janeiro).

Jorge Mourinha, in PÚBLICO
O Mágico - Sim, Alice, a magia existe

A partir de um guião original de Tati, o autor de "Belleville Rendez-vous" animou uma pequena elegia melancólica sobre o tempo que passa. Poesia em movimento Convirá explicar desde já o essencial: o novo filme do animador francês Sylvain Chomet não é "Belleville Rendez-vous", apesar dos muitos pontos de contacto. E, apesar de se basear num argumento que Jacques Tati deixou por filmar, também não é o filme que Tati nunca chegou a fazer. "O Mágico" é outra coisa - um encontro a meio caminho dos dois universos, Tati sem ser Tati, Chomet sem ser Chomet, amalgamando elementos de ambos (e também da banda-desenhada clássica, com um perfume da "linha clara" francobelga) para construir uma pequena elegia melancólica sobre um tempo perdido para nunca mais voltar.
Faz sentido que assim seja: esta animação de aspecto caseiro e artesanal (apesar das evidências informáticas em vários planos) literalmente não pertence aos nossos tempos. Nem lhes quer pertencer.
Nostálgica, mas nunca serôdia, tem um respeito imenso pelo trabalho de Tati, mas está mais próximo do realismo dos "Angry Young Men" britânicos - e sobretudo de filmes como "The Entertainer" (1960), o clássico de Tony Richardson sobre um artista de vaudeville (Laurence Olivier) em decadência.
Também o ilusionista do título, o sr. Tatischeff (com os traços de Tati e usando o seu verdadeiro apelido), é uma relíquia de um passado moribundo, neste final dos anos 1950 em que os teatros de music-hall estão cada vez mais vazios e são as bandas rock que começam a arrastar audiências. Mas, num espectáculo de ocasião numa ilha escocesa, descobre uma fã na adolescente que trabalha na estalagem onde ficou alojado.
Alice deixa-se seduzir pela magia do "país das maravilhas" que o sr. Tatischeff parece convocar por milagre (não por acaso, há um coelho rezingão que rouba o filme sempre que aparece e sublinha a ligação pontual a Lewis Carroll), e acompanha-o até Edimburgo, onde desabrocha para a vida ao mesmo tempo que o ilusionista compreende que a magia que ele cria já não tem lugar no mundo moderno.
É essa magia que Chomet recria apaixonadamente em "O Mágico", convocando o espírito de Tati a cada momento. Mesmo que seja evidente que, aqui e ali, o mestre teria explorado os gagues de maneira diferente, mesmo que se sinta que a história é demasiado frágil para sustentar uma duração de longa-metragem, percebe-se que Chomet não quis substituir-se a Tati nem fazer um "filme à maneira de"; em vez disso, há um encontro de universos que, de qualquer maneira, já estavam bastante sintonizados (Tati já estava omnipresente em "Belleville Rendez-vous"), aqui mais do lado assumido de uma homenagem sentida e sensível, da vontade de não deixar que a sua memória se perca e que a sua magia desapareça. Tarefa quase impossível que, contra todas as expectativas, o realizador francês leva a bom porto: por 80 minutos, Tati está ali, à nossa frente. Não em carne e osso, mas em espírito. E o impossível acontece. Afinal, a magia sempre existe.

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