27 Maio - Indomável


Título original: True Grit

De: Joel Coen, Ethan Coen

Com: Jeff Bridges, Matt Damon, Josh Brolin, Hailee Steinfeld
Género: Western
Classificação: M/12
Origem: EUA
Ano: 2010
Cores, 110 min
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Mattie Ross (Hailee Steinfeld) tem 14 anos e uma personalidade invejável. Depois do assassinato do seu pai pelo traidor Tom Chaney (Josh Brolin), seu empregado, ela jura vingar-se. Para isso contrata Rooster Cogburn (Jeff Bridges), um marshal alcoólico, famoso pelos seus métodos impiedosos mas muito eficazes. Mas Tom tem também no seu encalço LaBoeuf (Matt Damon), um ranger do Texas verborreico e arrogante, mas de grande determinação, que acaba por se juntar a Mattie e Rooster na caça ao homem. Mas a relação entre os três será difícil e, também por isso, muitas cabeças irão rolar... Realizado pelos irmãos Coen, uma readaptação do romance "True Grit", escrito por Charles Portis com o Oeste americano como pano de fundo. Henry Hathaway adaptou, em 1969, o livro ao cinema com John Wayne, Robert Duvall e Dennis Hopper nos principais papéis valendo o Óscar a Wayne. Nomeado para dez Óscares, entre os quais melhores filme, realizador, actor (Bridges), actriz secundária (Steinfeld) e argumento adaptado (Ethan e Joel Coen)

Mário Jorge Torres, in PÚBLICO
Uma brilhante demonstração de virtuosismo, fria e letal como uma faca no tecido formal de um cinema autoreflexivo

O universo fílmico dos irmãos Joel e Ethan Coen passa inúmeras vezes por uma reescrita pessoal da memória do cinema clássico, por uma reelaboração do que resta do conceito de género, deixando quase sempre pistas de reconhecimento, numa estratégia pós-modernista de pastiche e (ou) de paródia. Foi assim com o opus 1, "Sangue por Sangue" (1984), a transformar vestígios de Hitchcock num objecto autoreflexivo, com "Histórias de Gangsters" (1990), fornecendo bastos motivos de análise abstracta da violência no filme de gangsters, depois da aventura atmosférica do "film noir", ou com "Fargo" (1996), parodiando o "crime movie" numa zona em que "thriller" e comédia se cruzam em perigosa consonância. Mesmo objectos mais "inqualificáveis" revelavam estranhas rimas com o passado filtrado por uma fina rede de referências: "Barton Fink" (1991) construía uma homenagem surrealizante ao filme de terror, numa dimensão de paranóia; "O Grande Salto" (1994) evocava em filigrana um Capra fora de contexto; "Irmão, Onde Estás" (2000) reaproveitava o título do filme ficcional do início de "Sullivan''s Travels" (Preston Sturges, 1941) para visitar o "filme de prisão", em jeito de Odisseia moderna; para já não mencionar a paródia das paródias, "Arizona Júnior" (1987), algures entre o burlesco e os resquícios do "thriller". Em toda a sua obra evidencia-se, pois, o gosto pela textualidade de segunda instância, exigindo do espectador chaves sucessivas de interpretação e apostando na elaboração sistemática e sofisticada de sinais, num formalismo pensado ao milímetro.
Agora chega a vez de os irmãos abordarem o "western", sempre do modo como reflectem sobre a verdade dos géneros, com a imensa distância que se impõe por diversas razões: primeiro, trata-se de um género morto e enterrado, com sucessivas certidões de óbito: depois de "Imperdoável" de Eastwood já não há hipóteses de heroicidade ou de vertente épica, ou seja, resta sobretudo o grafismo e as situações extremas, em que os tropos se acumulam numa espécie de vertigem sem sentido. Em segundo lugar, "Indomável" ("True Grit" no original, tal como na novela de partida, de Charles Portis, baseada num episódio verídico, exercício complexo de "non fiction" romanceada) assume uma outra mediação: é um "remake" explícito de "Velha Raposa" (1969), já de si um "western" moribundo, criado por uma das "velhas raposas" de Hollywood, Henry Hathaway, para o carisma final de uma das estrelas incontornáveis do género, John Wayne, em constante caricatura dos seus tiques, apesar de ter sido levado a sério, o que prova o Óscar de melhor actor que coroou a sua rábula, bem como a existência de uma famigerada sequela "Rooster Cogburn/O Sheriff" (Stuart Millar, 1975), juntando Wayne a outras das glórias do passado, também ela em registo caricatural, Katharine Hepburn.
Estamos, pois, perante um objecto esquisito que regressa a um género extinto por via de um labirinto de referências intra-cinematográficas: se "Velha Raposa" já se perfilava como uma paródia de personagens e de actores, "Indomável" é uma paródia de uma paródia, um divertimento quase autosuficiente, destinado a congelar características discerníveis de um discurso ultrapassado, escrito (apetecia dizer "sobre-escrito") com a plena consciência disso. Se algo avulta neste exercício de estilo é, precisamente, a perda de qualquer inocência, apesar do imenso cuidado na escolha da jovem actriz (uma belicosa Hailee Steinfeld, vinda da televisão), para encarnar a adolescente que procura um vingador para a morte do pai. Assim, o "western" de vingança desdobra-se em previsíveis peripécias de perseguições e tiroteios, sempre desenhados com o distanciamento do pastiche e ancorados na memória de John Wayne, o que não constitui defeito (mas feitio), uma vez que os Coen nunca pretendem construir emoção, aspirando antes a um jogo de gato e rato com o espectador prevenido.

Contudo, onde a aposta atingia o paroxismo era na escolha do actor que substituiria Wayne, de tal modo se exigia uma "persona" forte e diversa: Jeff Bridges ganha a batalha, porque resiste à emulação e faz de si próprio, com a dignidade que a sua longa carreira lhe confere e o mais espantoso passa pela secura que consegue transmitir ao seu anti-herói. Mais: se ainda houvesse "western" este seria um bom exemplo de encadeamento narrativo, de formulação de propostas formais arrojadas e inovadoras. Os Coen filmam impecavelmente com a noção irrepreensível do espaço, dos longos planos de grua, da articulação dos conjuntos: veja-se a magnífica sequência em que Matt Damon (uma importantíssima mais-valia) alveja de longe os bandidos, ou a preciosa encenação do ataque à cabana com a jovem no telhado e Bridges escondido cá fora, reformulando, de forma precisa, a modernização necessária do campo/contracampo.
Por tudo isto, "Indomável" constitui um prazer para os olhos e para a mente, fazendo da racionalidade o seu código, embora longe do soco no estômago que tornava "Este País Não É para Velhos" porventura a obra-prima dos Coen. Pelo contrário, este post-"western" assume-se como o que é, na verdade: uma brilhante demonstração de virtuosismo, fria e letal como uma faca no tecido formal de um cinema questionador e autoreflexivo.

20 Maio - Somewhere - Algures


Título original: Somewhere

De: Sofia Coppola

Com: Stephen Dorff, Elle Fanning
Género: Drama, Comédia
Classificação: M/12
Origem: ITA/FRA/EUA/JAP
Ano: 2010
Cores, 95 min
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Johnny Marco (Stephen Dorff) é uma típica estrela de cinema de Hollywood: vive no Chateau Marmont, um luxuoso hotel em Los Angeles, tem um carro topo de gama, mulheres belíssimas à sua volta e uma vida cheia de glamour. Até a ex-mulher deixar ao seu cuidado, e por tempo indeterminado, Cleo, a sua filha de 11 anos (Elle Fanning, irmã mais nova de Dakota Fanning). Este reencontro com a menina que, apesar da idade, demonstra uma grande maturidade, vai ser um momento de viragem para Johnny que sente necessidade de repensar a forma como tem vivido a sua vida. Com argumento e realização de Sofia Coppola ("Lost in Translation"), "Somewhere" foi o filme vencedor da 67ª edição da Mostra Internacional de Arte Cinematográfica de Veneza.

Jorge Mourinha, in PÚBLICO
"Algures" não traz nada de novo ao cinema de Sofia Coppola, mas os seus segredos não se revelam imediatamente
Ponto prévio: não se venha a "Algures" à espera de "Lost in Translation nº 2". As expectativas são inevitáveis - queremos sempre regressar ao lugar onde fomos felizes... - mas é tarefa vã: por natureza, um momento de graça é irrepetível.
O engenho de Sofia Coppola em "Algures" é precisamente esse: dramatizar a repetição. Mostrar o que acontece quando esses momentos de felicidade se tornam num parque de diversões permanente, e se perde a noção do tempo, da realidade. "Algures" é a história de alguém que chegou onde queria e percebeu que, afinal, não era aquilo que queria.
Sim, é (outra vez) um filme sobre o nada, sobre o vazio de uma existência perfeita. Sim, é Sofia outra vez a fazer um filme de menina rica sobre meninos ricos que não sabem o que querem da vida. Podia ser a versão actualizada da "História de Nova Iorque" que o pai Francis filmou há vinte anos, podia ser uma versão moderna da "Marie Antoinette", menina rica perdida fora de pé. O Johnny Marco que Stephen Dorff cria aqui é isso: um rapaz fora de pé, que preenche o vazio dos seus dias de vedeta hollywoodiana com noitadas, bebedeiras, sexo fácil, tabaco. Até que a filha lhe cai nos braços e Johnny começa a perceber que há uma vida para lá da sua bolha.
Não sabemos bem se "Algures" é "adenda" aos três filmes anteriores de Coppola ou o abrir de um novo ciclo. Sabemos, isso sim, que é filme ainda mais depurado que os anteriores, onde ainda menos se passa e ainda mais fica por dizer. A fotografia solar de mestre Harris Savides, o olhar observacional sobre a fauna de Los Angeles, o modo como se parece "morder" gentilmente a mão que dá de comer, fazem do filme membro de pleno direito da turma de "regresso aos anos 1970" que se tem manifestado no mais interessante cinema americano recente. E não há nada de mal nisso - "Algures" é filme que se inscreve sem problemas numa genealogia e numa carreira. Isso não faz dele o melhor filme de Sofia Coppola - talvez porque, de facto, haja uma sensação de "rodar em seco" (que a própria cineasta comenta no plano de abertura) - mas faz dele um objecto sedutoramente intrigante, uma espécie de écrã branco onde cada um poderá projectar o que bem entender.
Não se venha aqui à espera daquilo que "Algures" não pode ser. Mas, se se deixarem os preconceitos à porta, pode-se encontrar nele muito mais do que se poderia esperar.

13 Maio - Despojos de Inverno


Título original: Winter's Bone

De: Debra Granik

Com: Jennifer Lawrence, John Hawkes, Kevin Breznahan, Dale Dickey, Garret Dillahunt
Género: Drama
Classificação: M/12
Origem: EUA
Ano: 2010
Cores, 99 min
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Vencedor do Grande Prémio do Júri e o Prémio de argumento no Festival de Cinema de Sundance 2010

Nomeações para os Óscares 2011 (4) * MELHOR FILME * MELHOR ACTRIZ PRINCIPAL (Jennifer Lawrence) * MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO (John Hawkes) * MELHOR ARGUMENTO ADAPTADO


A viver nas montanhas Ozark, no estado norte-americano do Missouri, com um pai traficante de drogas e uma mãe incapacitada devido a uma depressão profunda, Ree Dolly (Jennifer Lawrence), de 17 anos, é a alma da família e o único apoio de Sonny (Isaiah Stone) e Ashlee (Ashlee Thompson), os seus irmãos mais novos. O seu pai, depois de dar a casa como fiança num negócio obscuro, desapareceu sem deixar rasto e é procurado pela polícia. Agora, para não perder a casa onde vive, Ree terá de encontrar o pai, nem que para isso tenha de percorrer todos os recantos das montanhas. Nessa busca incessante pelos lugares prováveis e improváveis, todos a tentam dissuadir, mas a rapariga tem um único objectivo em mente: proteger a sua família, custe o que custar.

Jorge Mourinha, in PÚBLICO

Costuma dizer-se que "mais vale cair em graça do que ser engraçado" - e a segunda longa-metragem de Debra Granik, uma das sensações do cinema independente americano de 2010 e um dos "outsiders" dos Óscares 2011 com quatro nomeações, é um bom exemplo disso, inscrevendo-se sem esforço na linhagem "rural" da qual fitas como "Ballast", de Lance Hammer, ou "Histórias de Caçadeira", de Jeff Nichols, são bons exemplos.


Em "Despojos de Inverno", ambientado nas montanhas Ozark na fronteira entre os estados de Missouri e Arkansas, uma miúda de 17 anos que um pai ausente e uma mãe doente e catatónica já forçou a tornar-se na mulher da casa vê-se obrigada a descobrir o que aconteceu ao pai para impedir que as autoridades a expulsem da casa - nem que para isso tenha de enfrentar o código de silêncio dos clãs da zona, para os quais as únicas saídas para sobreviver no meio da pobreza são o serviço militar ou o crime. Granik conjuga um olhar atento, e nada condescendente, sobre uma comunidade que parece saída do fundo dos tempos com uma estrutura discreta e fluida de "thriller", mas "Despojos de Inverno" é ainda filme um bocadinho "tolhido", ao qual falta um pouco mais de confiança para "descolar" de algum convencionalismo formal e, sobretudo, de uma certa indecisão no rumo a dar à história. Isso não nos deve distrair do facto de "Despojos de Inverno" ser um bom filme, inteligente, sério, atento - mas é pena que seja precisamente este o filme que "caiu em graça" junto da crítica internacional, quando "Ballast" ou "Histórias de Caçadeira", que lhe são grandemente superiores dentro da mesma estética, pouco ou nenhum impacto tiveram...

6 Maio - O Mágico (2 sessões: 15: 30 e 21:30)


Título original: L'illusionniste

De: Sylvain Chomet

Com: Jean-Claude Donda (voz), Eilidh Rankin (voz)
Género: Drama, Animação, Comédia
Classificação: M/12
Origem: GB/FRA
Ano: 2010
Cores, 79 min
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Se até aos anos 50 o "music hall" tinha um enorme peso no mundo do espectáculo, a partir dos finais dessa década, especialmente com a aparição do rock e das super estrelas da música, o interesse do público começa a mudar de direcção. E é assim que o nosso mágico percebe que a sua actividade como ilusionista está em perigo e que, se nada fizer contra isso, cairá na miséria como tantos outros artistas de renome. Por esse motivo abandona os grandes salões de Paris e segue o seu rumo em direcção à Escócia onde encontra Alice, uma rapariga muito especial que mudará toda a sua forma de viver. Um filme de animação realizado por Sylvain Chomet ("Belleville Rendez-Vous" nomeado para Óscar em 2004) a partir de um argumento original de Jacques Tati, escrito em 1956 em forma de uma carta a Helga Marie-Jeanne Schiel, sua filha bastarda. Nomeado para melhor filme de animação para os Globos de Ouro na edição de 2011 (cuja cerimónia decorrerá a 16 de Janeiro).

Jorge Mourinha, in PÚBLICO
O Mágico - Sim, Alice, a magia existe

A partir de um guião original de Tati, o autor de "Belleville Rendez-vous" animou uma pequena elegia melancólica sobre o tempo que passa. Poesia em movimento Convirá explicar desde já o essencial: o novo filme do animador francês Sylvain Chomet não é "Belleville Rendez-vous", apesar dos muitos pontos de contacto. E, apesar de se basear num argumento que Jacques Tati deixou por filmar, também não é o filme que Tati nunca chegou a fazer. "O Mágico" é outra coisa - um encontro a meio caminho dos dois universos, Tati sem ser Tati, Chomet sem ser Chomet, amalgamando elementos de ambos (e também da banda-desenhada clássica, com um perfume da "linha clara" francobelga) para construir uma pequena elegia melancólica sobre um tempo perdido para nunca mais voltar.
Faz sentido que assim seja: esta animação de aspecto caseiro e artesanal (apesar das evidências informáticas em vários planos) literalmente não pertence aos nossos tempos. Nem lhes quer pertencer.
Nostálgica, mas nunca serôdia, tem um respeito imenso pelo trabalho de Tati, mas está mais próximo do realismo dos "Angry Young Men" britânicos - e sobretudo de filmes como "The Entertainer" (1960), o clássico de Tony Richardson sobre um artista de vaudeville (Laurence Olivier) em decadência.
Também o ilusionista do título, o sr. Tatischeff (com os traços de Tati e usando o seu verdadeiro apelido), é uma relíquia de um passado moribundo, neste final dos anos 1950 em que os teatros de music-hall estão cada vez mais vazios e são as bandas rock que começam a arrastar audiências. Mas, num espectáculo de ocasião numa ilha escocesa, descobre uma fã na adolescente que trabalha na estalagem onde ficou alojado.
Alice deixa-se seduzir pela magia do "país das maravilhas" que o sr. Tatischeff parece convocar por milagre (não por acaso, há um coelho rezingão que rouba o filme sempre que aparece e sublinha a ligação pontual a Lewis Carroll), e acompanha-o até Edimburgo, onde desabrocha para a vida ao mesmo tempo que o ilusionista compreende que a magia que ele cria já não tem lugar no mundo moderno.
É essa magia que Chomet recria apaixonadamente em "O Mágico", convocando o espírito de Tati a cada momento. Mesmo que seja evidente que, aqui e ali, o mestre teria explorado os gagues de maneira diferente, mesmo que se sinta que a história é demasiado frágil para sustentar uma duração de longa-metragem, percebe-se que Chomet não quis substituir-se a Tati nem fazer um "filme à maneira de"; em vez disso, há um encontro de universos que, de qualquer maneira, já estavam bastante sintonizados (Tati já estava omnipresente em "Belleville Rendez-vous"), aqui mais do lado assumido de uma homenagem sentida e sensível, da vontade de não deixar que a sua memória se perca e que a sua magia desapareça. Tarefa quase impossível que, contra todas as expectativas, o realizador francês leva a bom porto: por 80 minutos, Tati está ali, à nossa frente. Não em carne e osso, mas em espírito. E o impossível acontece. Afinal, a magia sempre existe.

Outros textos

29 Abril - Cisne Negro


Título original: Black Swan

De: Darren Aronofsky

Com: Natalie Portman, Vincent Cassel, Mila Kunis, Barbara Hershey, Winona Ryder
Género: Drama, Thriller
Classificação: M/16
Origem: EUA
Ano: 2010
Cores, 108 min
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5 Nomeações para os Óscares 2011
* MELHOR FILME
* MELHOR REALIZAÇÃO (Darren Aronofsky)
* MELHOR ACTRIZ PRINCIPAL (Natalie Potman vencedora do Óscar)
* MELHOR FOTOGRAFIA
* MELHOR MONTAGEM


Nina (Natalie Portman) pertence à companhia de Ballet de Nova Iorque e praticamente todos os dias da sua vida foram dedicados à dança. Erica (Barbara Hershey), sua mãe, é uma ex-bailarina cuja única obsessão é ver a sua filha triunfar e que, por essa razão, controla todos os seus movimentos. Quando Thomas Leroy (Vincent Cassel), o director artístico da companhia, decide substituir a intérprete principal no imortal "O Lago dos Cisnes", de Tchaikovsky, Nina aparece como uma das escolhas mais prováveis. Mas Lily (Mila Kunis), uma outra jovem em ascensão, revela algumas características essenciais ao papel que faltam a Nina. Assim, à medida que as duas raparigas se tornam cada vez mais próximas, a doce Nina começa a revelar o seu lado mais negro... Realizado por Darren Aronofsky ("A Vida não é um Sonho", "O Último Capítulo" e "O Wrestler"), um thriller psicológico sobre a dicotomia entre o Bem e do Mal, latente na personalidade de todos os seres humanos. Depois da sua estreia na 67.ª edição do Festival de Cinema de Veneza, foi nomeado para cinco categorias na próxima edição dos Óscares, entre os quais melhores filme, actriz (Natalie Portman) e realizador (Darren Aronofsky).

Vasco Câmara, in PÚBLICO
Do melodrama ao terror biológico passando pelo "slasher movie", o filme passa por tudo. Suspendamos a incredulidade perante essa metamorfose tão berrante com as aventuras "escapistas" de uma "pulp fiction"
Explica o mestre de ballet (Vincent Cassel), às tantas, que "O Lago dos Cisnes" conta a história de uma rapariga encerrada no corpo de um cisne que só o amor pode libertar; mas eis que aparece o Cisne Negro, que boicota a aproximação do Príncipe à rapariga encerrada no Cisne Branco, ela suicida-se e assim, finalmente, se liberta. Vincent Cassel está a falar menos do bailado do que do próprio filme de Aronofsky, e a coisa é igualmente literal, e óbvia, quando o mestre diz à sua bailarina (Natalie Portman): "go home and touch yourself". É o que ela faz, vai para casa masturbar-se.
"Cisne Negro" é menos a história de uma rivalidade em pontas, do que a vertigem da ponta sexual de uma reprimida, que se estatela, e assim se liberta, no seu labirinto. Aronofsky, nessa nova forma, encontrada com "O Wrestler", para estar junto do filme e das personagens, tão perto que as pode ir moldando, dando sucessivas formas ao "boneco" (em vez de, como acontecia em "O Último Capítulo", "A Vida não é um Sonho" ou "Pi", ficar a olhar para si próprio), arrisca, em pleno campo do "mainstream", com o óbvio, com o visceral e com o inverosímil - do melodrama ao terror biológico passando pelo "slasher movie", "O Cisne Negro" passa por tudo, e a nossa experiência de espectadores é essa, suspender a incredulidade e adeirir a essa metamorfose tão delirante e berrante com as aventuras "escapistas" de uma "pulp fiction".
É essa plasticidade, que parte do naturalismo para se esticar até aos terrenos da fábula, que faz a singularidade de "O Cisne Negro". E que torna o filme, para além das citações ou referências (Aronofsky assume toques de "Repulsa", de Polanski, ou de "A Mosca", do Cronenberg; e iríamos jurar que viu em Veneza 2008, no ano em que o seu "Wrestler" recebeu o Leão de Ouro, "L''Autre", de Patrick-Mario Bernard e Pierre Trividic, que também filmava Dominique Blanc em rota de colisão com a sua dupla), um parente nada afastado das incursões exibicionistas de Brian de Palma ao terror. Falamos do operático "O Fantasma do Paraíso" ("Cisne Negro" não tem medo de entrar pelo desvario de palco) e falamos de "Carrie" - a inquietante Barbara Hershey, mãe amorosa, castradora e assustadora, e Natalie Portman, a filha virginal, presa assustada capaz de passar a predadora, projectam-nos para a Piper Laurie e Sissy Spacek daquele filme, e até desejamos que Natalie crucifique Barbara com facas.
É isto e mais: a capacidade de investir um cenário, Nova Iorque - que entretanto se transformou em coisa transparente, à força de servir de décor -, de uma expressividade doentia. Como naqueles planos, breves e exteriores, fugaz imagem de uma casa assombrada e de assombros. Não há outro filme assim, que procede a experiências com o "grande público" a assistir em fundo, na lista dos títulos nomeados ao Óscar. Na verdade, não há muitos filmes assim no "mainstream" americano, e não é o tão seguro de si "A Rede Social" ou o paquidérmico "Inception" que fazem figura de excepção. Para além disso, e para continuarmos nos oscarizáveis, "Cisne Negro" não precisa de se escudar no programa de intenções liberais para filmar o sexo entre mulheres como o envergonhado e nada liberto (comparem-se as cenas...) "The Kids are All Right".

10 Setembro - Shutter Island


Título original: Shutter Island

De: Martin Scorsese

Com: Leonardo DiCaprio, Mark Ruffalo, Ben Kingsley, Emily Mortimer
Género: Drama, Thriller
Classificação: M/16
Origem: EUA
Ano: 2010
Cores, 138 min
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EUA. Verão de 1954. O xerife Teddy Daniels (Leonardo DiCaprio) e o seu parceiro Chuck Aule (Mark Ruffalo) são enviados para o Hospital Psiquiátrico Ashecliffe, na ilha Shutter, onde estão internados os mais perversos criminosos do país. O caso prende-se com Rachel Solando, uma perigosa assassina em série que desapareceu inexplicavelmente da sua cela e cuja única pista parece ser uma folha de papel com uma pergunta indecifrável.
Os médicos, funcionários e enfermeiras da instituição não parecem empenhados em cooperar com a investigação e há algo de particularmente misterioso com Dr. Cawley (Ben Kingsley), o director do hospital. Com um furacão a aproximar-se, rodeados por um ambiente psicótico e pacientes perigosos, ambos percebem que as suas vidas estão em risco e que podem não conseguir sair vivos desta ilha maldita.
Realizado por Martin Scorsese, é baseado na obra "Paciente 67" de Dennis Lehane (também autor de "Mystic River", adaptado para cinema por Clint Eastwood em 2003).


Jorge Mourinha, in PÚBLICO, em 23 de Fevereiro de 2010
A teoria da conspiração
Um magistral exercício de cinefilia elevada à potência máxima
Impõe-se um aviso prévio e inevitável: "Shutter Island" tanto mais impressionará quanto mais o espectador se abandonar sem restrições ao seu pesadelo claustrofóbico e progressivamente mais desorientante. É aí, nesse estado de vigília acordada entre o sonho e a realidade, que o novo filme de Martin Scorsese ganha toda a sua razão de ser: no modo como ele vai desconstruindo progressivamente uma realidade reconhecível até nada restar a não ser a nossa própria dúvida em relação ao que estamos a ver.
A imagem, nas mãos de um mestre, pode induzir em erro - já Hitchcock o dizia, mas "Shutter Island" desvia Hitchcock por via de De Palma para depois o alinhar com Fuller, Bava, Argento, Lang, Murnau, Tourneur e outros mestres da série B reavaliados como dignos da série A. E, já agora, está mesmo paredes-meias com o cinema de terror, é um objecto gótico e barroco onde Leonardo di Caprio, detective traumatizado pelas suas experiências na II Guerra, enviado a um hospital psiquiátrico numa ilha isolada ao largo de Boston, desce aos infernos onde a realidade e a loucura se fundem.
Exercício de estilo, pretexto para demonstrar como aprendeu as lições de tudo o que viu e as fez suas, manifestação de virtuosismo? Sim, sim, sim - mas sem a frieza do aluno aplicado, antes com o prazer mal disfarçado de quem tem gosto naquilo que faz e de quem o faz por prazer. É, aliás, isso que explica como este filme que, noutras mãos, seria uma espécie de De Palma-ersatz se torna, nas de Scorsese e do seu director de fotografia Robert Richardson, numa espantosa carta de amor ao cinema de género, das séries B fantásticas que Val Lewton produziu e Jacques Tourneur dirigiu para a RKO ("A Pantera", "Zombie") ao giallo italiano de Mario Bava ("A Máscara do Demónio") ou Dario Argento ("O Pássaro com Plumas de Cristal"), passando pelos grandes filmes negros da década de 1950 e pelos "Mabuse" de Lang ou o "Gabinete do Dr. Caligari" de Wiene (e é só impressão nossa, ou há ali ecos de Samuel Fuller e de Michael Powell?).
Isso faz de "Shutter Island" um "cadáver esquisito" tanto mais inesperado quanto não é, de todo, disto que estamos à espera hoje de um filme "de estúdio" com Leonardo di Caprio (que, a propósito, é um erro de "casting"; por mais que tente, não consegue atingir o nível de intensidade necessária para habitar a sua personagem). Scorsese filma como se houvesse sempre um detalhe inexplicavelmente fora do sítio, como se tudo isto fosse uma enorme alucinação, uma mistificação onde nunca sabemos o que é verdade e o que é mentira, sublinhada pela opressão da cenografia de Dante Ferretti e pela magnífica escolha de compositores contemporâneos feita por Robbie Robertson para a banda-sonora.
E essa mistificação faz parte do jogo de Scorsese, brincando com a arte do cinema como se nunca tivesse feito outra coisa na vida (e, na realidade, nunca fez). A arte de um grande cineasta reside, muitas vezes, no modo como se apropria de uma peça de "pulp fiction" como é esta e dela faz um filme que não poderia ter sido feito por mais ninguém. "Shutter Island" não é um "grande filme" de Scorsese, uma daquelas obras-primas (que, de qualquer maneira, já ninguém espera dele) - mas, dentro dos "pequenos filmes" que todos os realizadores veteranos têm direito a fazer, "Shutter Island" é um grande, grandíssimo filme.

Setembro 2010 - Cartaz


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3 Setembro - Tudo pode dar certo


Título original: Whatever Works

De: Woody Allen

Com: Larry David, Adam Brooks, Lyle Kanouse, Evan Rachel Wood
Género: Comédia
Classificação: M/12
Origem: EUA/FRA
Ano: 2009
Cores, 92 min
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Boris Yelnikoff (Larry David) é um génio da física que sofre de insatisfação crónica e desprezo pelo género humano. Depois de perder a mulher num divórcio, um prémio Nobel e de quase ter perdido a sua própria vida numa tentativa de suicídio mal sucedida, resolve dar largas à sua misantropia e isolar-se numa pequena casa na cidade de Nova Iorque. Um dia encontra à sua porta Melody (Evan Rachel Wood), uma jovem fugitiva do Mississípi, cuja inocência e alegria de viver contagiante contrastam com o cinismo do cientista. Com o passar do tempo a doce rapariga instala-se em sua casa e invade a sua vida, preenchendo todas as lacunas do insatisfeito Boris. As suas vidas parecem perfeitas até ao dia em que os pais dela resolvem aparecer e revolucionar tudo à sua volta...
Uma comédia romântica sobre os encontros e os desencontros amorosos, que marca mais um regresso de Woddy Allen.


Luís Miguel Oliveira, in PÚBLICO, 10 de Fevereiro de 2010
Tudo Pode dar Certo
Pela milésima vez Woody Allen a girar em torno de si próprio. Com um duplo, um Mr Hyde, que é um achado e faz meio-filme: Larry David. Talvez não funcione duas vezes, mas esta encarnação da misantropia (uma misantropia "espectacular", mas capaz de uma brusquidão cavernosa) que é a personagem de David traz uma energia nada despicienda ao cinema de Allen: ouvimos basicamente as mesmas piadas e apartes que já ouvimos noutros filmes, mas com a sensação - um engano consentido, digamos assim, porque não há nada como um misantropo sedutor - de que as ouvimos pela primeira vez. A graça é que, criativamente, o filme é a perfeita ilustração do seu lema: "whatever works"...


Jorge Mourinha, in PÚBLICO, em 4 de Fevereiro de 2010
Ó tempo volta pra trás
O novo Woody Allen é um reencontro com o "velho" Woody Allen dos seus tempos áureos? Sim, mas não do modo que estão a pensar
Tivesse Woody Allen assinado este "Tudo Pode Dar Certo" nos seus tempos áureos dos anos 1970 e 1980, talvez tivéssemos olhado para ele como um Allen menor e hoje estivéssemos à beira de uma reavaliação. Se tivesse sido rodado logo a seguir ao soberbo "Match Point", teríamos ficados convictos da ressurreição definitiva de um cineasta que andou um bocado aos papéis. Mas, como o vemos hoje, "Tudo Pode Dar Certo" é um dos "fogachos" pontuais que mostram ainda haver vida no velho mestre, aqui retomando de modo inspirado as coordenadas das suas velhas comédias nova-iorquinas a meio caminho entre o "screwball" clássico do neurótico à deriva e o romantismo terminal da busca do amor e do sentido para a vida.
Claro que o "herói" nominal, aqui interpretado por Larry David (ele de "Calma, Larry!" e "Seinfeld"), é basicamente, mais uma vez, Allen ele próprio mal disfarçado, mesmo que David empreste ao seu físico resmungão e misantropo uma "patine" confrontacional que o realizador dificilmente conseguiria invocar. Claro que o romance central (entre David no papel de um intelectual resmungão e uma soberba Evan Rachel Wood no papel de uma ingénua sulista caída de pára-quedas em Nova Iorque de quem ele vai ser um misto de mentor intelectual e amante incrédulo) parece decalcado de outros filmes (lembrámo-nos de "Manhattan", "et pour cause"). E, apesar (ou se calhar por causa) do soberbo trabalho fotográfico de Harris Savides, todo feito de subtis variações de luz e sombra, há muito de teatral nesta encenação do que, descobre-se entretanto, era um guião antigo que tinha ficado por rodar "na gaveta".
"Tudo Pode Dar Certo" é, então, uma história contemporânea de "Manhattan" que Allen, paradoxalmente, escrevera originalmente a pensar num actor específico (o comediante Zero Mostel, que recordamos, por exemplo, dos "Producers" originais de Mel Brooks, "Por Favor Não Mexam nas Velhinhas"), e que recuperou, reviu e actualizou para este filme. É isso que explica, ao mesmo tempo, o regresso das piadas imparáveis de "nonsense" "vintage", e a amargura singular dos seus últimos filmes que vem colorir o conjunto, como se "Tudo Pode Dar Certo" fosse uma síntese contemporânea dos Allen "clássicos" e "modernos" - o que esbarra logo a seguir na constatação de que os melhores dos Allen "modernos" ("Match Point" à cabeça de um pequeno contingente) são variações com maior ou menor originalidade sobre os seus motivos clássicos.
Mas isso, contudo, não nos deve afastar do essencial. E o essencial é que "Tudo Pode Dar Certo" vai reconfortar todos aqueles que achavam que Allen já não tinha nada a dizer e reacender a esperança (mesmo que vã) de ainda haver um "Manhattan" no veterano autor. Este filme não é, claro, outro "Manhattan", mas já ficamos contentes por ser outro "Balas sobre a Broadway". Afinal, tudo pode mesmo dar certo...

O Cinema ao Luar: 8,9 e 10 de Agosto.


Desde Agosto de 1995, quando com uma máquina de projectar de 16 mm e filmes cedidos gratuitamente pelo INATEL (John Ford, Charlie Chaplin, Elia Kazan...A Repulsa de Polanski...) ocupamos os Claustros do Museu durante 10 noites. Nos anos seguintes sucederam-se sessões a começar à 1 da manhã, incluindo uma mítica projecção de Mulholland Drive, de David Lynch.

Este ano começamos com – não podia deixar de ser – "Avatar", a última mega-produção fantástica de Cameron sobre musculados marines que após a invasão do planeta Pandora, deparam-se com os... azulados "Na'vi".

No dia seguinte, temos de novo connosco o Tiago Pereira, que volta a Amarante depois em Maio ter apresentado o seu documentário "Significado, a música portuguesa se gostasse dela própria" no Cinema Teixeira de Pascoaes. Pereira regressa agora com um projecto audiovisual muito interessante, que o junta ao música Vasco Ribeiro Casais e ao Vj João Chaves.

Na última noite, o documentário mais falado, mais discutido e, pois, mais polémico dos últimos anos: "Pare Escute e Olhe", de Jorge Pelicano - http://www.pareescuteolhe.com.

Cineclube de Amarante

Cinema ao Luar

Agosto
Claustros da Câmara Municipal

Sessões às 22 horas com entrada livre

Dia 8, domingo Avatar
Título original: Avatar
De: James Cameron
Argumento: James Cameron
Com: Sam Worthington, Zoe Saldana, Sigourney Weaver, Stephen Lang
Género: Acção, Aventura
Classificacao: M/6
http://www.castellolopesmultimedia.com/avatar/
EUA, 2009, Cores, 162 min.


Dia 9, 2ª feira OMIRI Project
Vasco Ribeiro Casais - Musician
Tiago Pereira - Image Concept & Vjing
João Chaves - Vjing

Omiri é um projecto que vive da dualidade antigo vs moderno.
Um músico e um vj partem das danças tradicionais e de instrumentos antigos e transformam-nos numa viagem audio-visual em que o moderno se funde com a tradição e esta se rejuvenesce, tornado-se viva e apta a ser vivida nos tempos de hoje.
O espectáculo OMIRI, explora simultâneamente duas vertentes: a criação de ambientes complexos dada pela sopreposição de camadas sonoras e visuais gravadas em tempo real e a improvisação em torno das mesmas.

http://vimeo.com/1123424
http://vimeo.com/1125637
http://vimeo.com/924325

Dia 10, 3ª feira
Pare, Escute, Olhe
De: Jorge Pelicano
Género: Documentário
Classificacao: M/6
http://www.youtube.com/watch?v=9fOpnFLhN5g&feature=player_embedded
Portugal, 2009, 100 min.

18 Junho - Um lugar para viver


Título original: Away We Go

De: Sam Mendes

Com: John Krasinski, Maya Rudolph, Carmen Ejogo, Jeff Daniels
Género: Comédia, Drama
Classificação: M/16
Origem: EUA/GB
Ano: 2009
Cores, 98 min
Site


Verona (Maya Rudolph) e Burt (John Krasinski) são namorados, têm 33 anos e fazem uma aterradora descoberta: vão ter um filho. Quando percebem que os pais dele vão deixar o país um mês antes do nascimento do bebé tomam consciência que já nada os prende ao lugar onde vivem. Decidem então fazer uma longa viagem pelos EUA e Canadá em busca de um lugar para viver e de um modelo familiar que os inspire no seu novo papel de pais. Pelo caminho vão reencontrar velhos amigos, alguns com famílias mais excêntricas, outros mais conservadores, mas todos com as suas próprias contrariedades e alegrias. No final ambos vão compreender que o lugar a que chamarão lar é, de todos, o detalhe menos importante...
O último filme de Sam Mendes ("Beleza Americana", "Caminho para a Perdição", "Revolutionary Road"), em estilo "road movie", fala sobre a beleza de cada recomeço e do pouco controlo que cada um pode ter sobre o seu próprio destino.


Mário Jorge Torres, in PÚBLICO, 8 de Abril de 2010
Um lugar para viver
Já se tinha percebido, pelos limites de "Revolutionary Road", que Sam Mendes dificilmente conseguiria voltar a atingir as grandezas de "Beleza Americana", a muitos níveis um filme em estado de graça.
No entanto, "Um Lugar para Viver" cumpre os objectivos a que se propõe: um inteligente exercício sobre as angústias quotidianas, encenado com rigor e com aquela precisão quase de marcação teatral, que constitui a grande imagem de marca do realizador. Oscilando entre um tom dramático e uma componente de alívio cómico, em doses equilibradas, o filme constrói personagens complexas (excelente direcção de actores) e resiste às facilidades de um registo patético, em que poderia cair, ao optar pelas aventuras e desventuras de um casal à procura de um ideal "lugar ao sol". Falta talvez o cinismo lúcido de "Beleza Americana", mas sobra a capacidade de narrar as pequenas surpresas de um microcosmos de reconhecível verosimilhança.


João Lopes, in DIÁRIO DE NOTÍCIAS, 31 Março 2010
Refazendo a herança de Billy Wilder
Na árvore genealógica de Hollywood, Billy Wilder é um modelo exemplar do grande artesão: versátil e acutilante em qualquer género. Sam Mendes, de quem se estreou recentemente Um Lugar para Viver, gosta de o citar como uma inspiração.
Questionado sobre os cineastas que mais admira, Sam Mendes gosta de dizer que está fora do clube a que pertencem autores obsessivos como Alfred Hitchcock, Ingmar Bergman ou Jean-Luc Godard. O seu trabalho pauta-se pelo gosto da diversidade de géneros e modelos de produção. Quando evoca um clássico capaz de simbolizar tal agilidade, o nome que surge é Billy Wilder, o homem que, com a mesma verve, filmou Gloria Swanson na tragédia de Crepúsculo dos Deuses (1950) ou Marilyn Monroe na alegria de Quanto Mais Quente Melhor (1959).
Depois da guerra de Jarhead e das crueldades conjugais de Revolutionary Road, surge Um Lugar para Viver, filme mais devedor de uma certa nostalgia on the road enraizada no imaginário dos anos 60 do que da profusão de efeitos especiais (e dólares) que tem dominado Hollywood. Sam Mendes diz, com muita graça, que não acontece grande coisa no filme, pouco se avançando para além da premissa inicial: um jovem casal que vai ter o primeiro filho e parte à procura do lugar ideal para viver... Mas esse “não-acontecer” é profundamente paradoxal: este é um cinema de eventos microscópicos, habitado por uma intensidade emocional que se pode exprimir no tom aparentemente neutro de uma frase ou no silêncio que acompanha uma carícia.
Será, talvez, a mais bizarra das ironias, mas o certo é que um inglês como Sam Mendes aponta assim, ao cinema americano, a necessidade de preservar o melhor do seu património narrativo, em particular a riqueza imensa da tradição (melo)dramática. Dir-se-á que o cineasta desmentiu tudo isso ao assumir as rédeas do próximo James Bond... Mas não: primeiro, porque Bond é inglês; segundo, porque Billy Wilder era homem para fazer o mesmo.


Entrevista com o realizador, Sam Mendes

12 Junho - 15º Aniversário do Cineclube


Caros amigos,

Em Junho de 1995 queríamos*:

a) Fazer renascer o hábito de ver cinema em Amarante, desmistificando a ideia da impossibilidade deste tipo de projectos fora dos grandes centros urbanos;
b) Evitar a crescente desertificação da cidade por falta de alternativas culturais;
c) Rentabilizar, em prol da cultura, o apoio concedido pela Câmara Municipal;
d) Criar um cineclube que possa conduzir à ideia de que a obra de arte se torne semente do futuro, mola impulsionadora de uma visão nova das coisas, de um novo pensamento, de uma estética cinéfila, de uma nova formação cultural.

Se o Cineclube que pretendemos criar, puder ajudar a essa percepção e ao enriquecimento interior, ficaremos um pouquinho orgulhosos. Mesmo com imodéstia.

* excerto do folheto distribuído nas primeiras sessões do Cineclube de Amarante.

15 anos depois ainda cá andamos. Depois de exibirmos, em programação normal e ciclos temáticos, mais de 900 filmes, em mais de 1.250 sessões. Depois de realizarmos acções de formação, exposições, promovermos encontros com realizadores e actores, extensões de festivais de cinema, participarmos activamente em seminários, colóquios e encontros sobre cinema, marcarmos presença regular nos festivais e iniciativas de carácter cultural e cinematográfico. Depois de vários anos com a iniciativa Cinema ao Luar. Depois disto, alguma coisa deve ter ficado.


Sombras, um filme sonâmbulo

11 Junho - O Dia da Saia


Título original: La Journée de la Jupe

De: Jean-Paul Lilienfeld

Com: Isabelle Adjani, Denis Podalydès, Yann Collette
Género: Drama
Classificação: M/16
Origem: BEL/FRA
Ano: 2008
Cores, 87 min

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Sonia Bergerac (Isabelle Adjani) é uma professora de meia-idade cujo divórcio a deixou numa depressão profunda, encontrando algum controlo nos fortes medicamentos que toma diariamente. Ela é, literalmente, uma mulher à beira de um colapso nervoso. Depois de anos a lidar com os problemas de indisciplina dos seus "difíceis" alunos, maioritariamente filhos de emigrantes muçulmanos, e de obedecer às regras pouco comuns do director da escola, decide quebrar uma das regras que não permite o uso de saia na sala de aulas. Para além da reacção pouco amistosa por parte dos seus alunos, encontra uma arma na mochila de um deles acabando por ferir acidentalmente um outro numa perna. Sem saber o que fazer, torna toda a turma como refém...
Produzido pelo canal francês ARTE, um drama social dentro da sala de aulas, desta vez realizado por Jean-Claude Lillienfeld.

1 Junho - 3ª feira - Dia Mundial da Criança - 18 horas - Artur e a Vingança de Maltazard


Título original: Arthur et la vengeance de Maltazard

De: Luc Besson

Com: Snoop Doggy Dogg (Voz), Asa Butterfield (Voz), Mia Farrow (Voz), Freddie Highmore (Voz)
Género: Animação, Aventura
Classificação: M/6
Origem: FRA
Ano: 2009
Cores, 93 min


Depois de longos meses de espera, chega finalmente o fim do décimo ciclo da Lua. Artur pode então regressar ao mundo dos Minimeus e reencontrar Selénia, a princesa que ele nunca conseguiu esquecer. No pequeníssimo mundo subterrâneo, todos se aprontam para o receber com uma enorme festa de boas-vindas. Mas tudo se complica quando o pai de Artur decide que as férias do filho em casa dos avós terminaram, enviando uma mensagem de que chegará nesse mesmo dia para o levar de volta.
Quando está prestes a partir com o pai, uma estranha aranha entrega-lhe um grão de arroz com um pedido de ajuda de Selénia. Nesse momento ele compreende que, independentemente de tudo o resto, terá de regressar à vila dos Minimeus e ajudar a salvar o seu pequeno mundo...
O filme sequela de "Artur e os Minimeus", também realizado pelo francês Luc Bresson.


Junho 2010 - Cartaz


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28 Maio - SIGNIFICADO a música portuguesa se gostasse dela própria + B Fachada



Tiago Pereira mostra em Amarante os seus últimos filmes.

SIGNIFICADO
Pode dizer-se que é um “work in progress”. Originalmente pensado e concebido para um “trabalho-encomenda” proposto pela Associação Cultural d’Orfeu, localizada em Águeda, cujos fundadores são 4 irmãos (os irmãos Fernandes) músicos, para celebrar os seus 15 anos de existência.
Este projecto consiste numa recolha/escolha intensiva de testemunhos, sons e canções tradicionais portugueses. Com este legado, Tiago Pereira, resume-se a uma combinação estruturada de questões levantadas sobre a sua evolução e sua cristalização, a sua reinvenção e as suas dúvidas, os seus mitos e as suas interrogações: “como seria a música portuguesa se gostasse dela própria?”. Enfim, podemos ser conduzidos numa viagem à contemporaneidade da música tradicional portuguesa.
Tem a participação de vários músicos, tais como: Vítor Rua, Carlos Guerreiro, os irmãos Fernandes (Luís, Artur, Bitocas e Rogério), Júlio Pereira e, ainda, a artista Joana Vasconcelos.

21 Maio - Invictus


Título original: Invictus

De: Clint Eastwood

Com: Morgan Freeman, Matt Damon, Tony Kgoroge
Género: Drama
Classificação: M/12
Origem: EUA
Ano: 2009
Cores, 134 min

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África do Sul, 1994. Nelson Mandela sai Presidente das primeiras eleições inter-raciais e inicia a árdua missão de sarar as feridas de 42 anos de "apartheid": as suas e as de todo um país.
Com a ajuda de François Pienaar (Matt Damon), capitão da Selecção sul-africana de râguebi, Mandela (Morgan Freeman) inspira um país inteiro, ainda consumido pela divisão entre negros e afrikaners (descendentes dos colonos europeus). Confiante que poderia pôr todos a olhar na mesma direcção, Mandela usa a equipa dos Springboks como símbolo da união nacional, levando-a até à final do Campeonato do Mundo de Râguebi de 1995. É então que, contra todas as probabilidades, África do Sul vence a partida contra a fortíssima formação da Nova Zelândia e torna-se campeã do mundo.
Uma história verídica, realizada por Clint Eastwood, que mostra como a inspiração para algo grandioso pode ser encontrada nas pequenas conquistas de um povo.


Jorge Mourinha in PÚBLICO, 26 de Janeiro de 2010
O desporto favorito dos homens
"Invictus" confirma Clint Eastwood como o último dos clássicos, mesmo que o realizador esteja num piloto automático que já não esperávamos dele
Se Clint Eastwood é - como muitos continuam a vê-lo - o último elo que nos liga a uma era quase perdida do cinema clássico americano, "Invictus" confirma sem problemas essa filiação, pegando no "filme desportivo", rito de passagem e fórmula clássica para muito realizador americano. Eastwood mantém todas as coordenadas dramáticas e inspiracionais do género, mas descentra-o do mero esforço desportivo (e da aposta nos desportos americanos que faz a maior parte dos filmes de género de interesse restrito fora dos EUA) para uma dimensão global e eminentemente política.
Adaptando um livro do jornalista John Carlin, "Invictus" segue o percurso da equipa sul-africana de râguebi na taça do mundo de 1995 e desenha o modo como Nelson Mandela, recém-eleito presidente da África do Sul (Morgan Freeman, discretíssimo), usou a modalidade, até aí identificada como o "desporto dos brancos" por oposição ao futebol, como improvável traço de união de uma nação em recobro das feridas do apartheid. Não faltam aqueles que quiseram ler em "Invictus" um desejo velado para a presidência de Barack Obama (com o qual o Mandela de Freeman, procurando reunificar um país dividido, tem muito em comum), embora se perceba que o que atraiu Eastwood nesta história foi muito mais a ideia da gravidade moral que percorre muito do seu cinema, a imagem clássica do homem que coloca o seu país e o seu ideal à frente de si próprio. E, nesse aspecto, "Invictus" segue uma linhagem bem mais clássica do que até à primeira vista poderia parecer (mais próxima dos "biopics" de estadistas que Hollywood produziu na sua era dourada).
Mas não estaremos a fazer nenhum desfavor ao realizador se dissermos que esta história sobre o perdão e a reconciliação, que Freeman insistiu com Eastwood para ser ele a realizar, corre um tudo nada num "piloto automático" que, nesta altura, já não esperávamos dele (as câmaras lentas e as baladonas de isqueiro na banda-sonora eram coisas dispensáveis), nem se dissermos que o sentimos um tudo nada constrangido pela seriedade do assunto, como se não se conseguisse libertar do peso da "história real" que lhe está na origem. Nada que a segurança e a sobriedade a que Eastwood nos habituou não ultrapasse (e não é certo que outro realizador resolvesse melhor estes problemas), mas fica a sensação de um filme que cumpre tudo o que lhe é pedido mas falha o ensaio no último minuto.

14 Maio - Um Homem Singular


Título original: A Single Man

De: Tom Ford

Com: Colin Firth, Julianne Moore, Nicholas Hoult, Matthew Goode
Género: Drama
Classificação: M/16
Origem: EUA
Ano: 2009
Cores, 101 min

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Los Angeles, 30 de Novembro de 1962. Depois da trágica morte de Jim (Matthew Goode), seu companheiro dos últimos 16 anos, nada parece fazer sentido para o professor George Falconer (Colin Firth). Tudo lhe relembra a felicidade perdida e nem a sua velha amiga Charley (Juliane Moore) o consegue tirar do torpor em que vive nos últimos meses. Mas um encontro com Kenny (Nicholas Hoult), um jovem aluno das suas aulas de inglês que parece seguir os seus passos durante todo um dia, vai dar a George uma nova perspectiva e fazer renascer a vontade de começar tudo de novo...
Baseado no livro "A Single Man" de Christopher Isherwood, marca a estreia na realização do estilista americano Tom Ford.
Foi o filme de encerramento do 66º Festival de Veneza, com Colin Firth a ganhar o prémio de melhor actor (nomeado para o Óscar de melhor actor).


Jorge Mourinha in PÚBLICO, 18 de Fevereiro de 2010
Um homem, só
Colin Firth é um homem para quem a vida já não faz sentido na extraordinária estreia na realização do estilista Tom Ford. É, dizemos nós, uma obra-prima
Era uma vez um professor de literatura numa universidade californiana, que vive uma sexta-feira normal como se fosse o último dia da sua vida. E, por vontade dele, é-o - porque, desde que o seu amor morreu num acidente de carro, já nada mais faz sentido. Este, então, é o percurso do último dia da vida de George Falconer, cansado de não mais ter ao seu lado quem esperava que o abraçasse e partilhasse a sua vida até ao fim. Uma espécie de "imenso adeus" a uma vida aparentemente encantada - um emprego confortável, um estatuto invejável, uma casa perfeita à esquina do Pacífico, mas que nada significam quando se deve sofrê-los sozinhos, quando se está cansado de procurar pensos rápidos descartáveis que só preenchem o enorme vazio que a morte deixou até a cola desaparecer.
Sempre que há um "penso rápido", um momento de empatia com o mundo, um momento em que George faz uma ligação emocional com alguém, a paleta de cores de Tom Ford explode num voluptuoso Technicolor saído da Hollywood dos anos 1950 e 1960, como convém a uma história que se passa em 1962, no pleno centro do sonho americano do pós-guerra. Mas é, literalmente, sol de pouca dura - tal como a noite se sucede ao dia, também a fotografia meticulosamente precisa de Eduard Grau regressa à dessaturação quase sépia que reflecte a tristeza indizível de um homem a quem foi arrancado, nas palavras de Chico Buarque, um "pedaço de mim".
Que esse "pedaço de mim" seja outro homem, que "Um Homem Singular" adapte um texto fundador da literatura gay assinado por Christopher Isherwood, apenas empresta uma dimensão adicional a um filme que fala de solidão, de luto, de esperança, de vida, de morte, de amor sem nunca os embrulhar em tiques ou truques de militância - porque a emoção central é universal, porque todos nós temos de aprender a enfrentar a perda de um ente querido, marido, mulher, amante, irmã, irmão, pai, mãe.
Há dois milagres no primeiro filme de Tom Ford. O primeiro é esse - conseguir encontrar o universal numa experiência singular, conseguir uma dificílima tradução em imagens de emoções profundas que já todos sentimos mas que nem sempre conseguimos articular.
E o segundo é inseparável do primeiro - é o facto de "Um Homem Singular" ser uma das estreias mais fulgurantes que vemos em muitos anos, de um controle formal e de uma sensibilidade que muitos cineastas mais experientes dificilmente ou raramente atingem. Tanto mais espantosa quanto Ford, um dos mais lendários estilistas da moda dos anos 1990, não tinha nenhuma experiência cinematográfica e não apenas prova saber muito bem o que está a fazer como arranca de Colin Firth, actor de cujo talento nunca se duvida, uma daquelas interpretações arrasadoras para entrar nos livros de referência. Todo em retenção e discrição, sem nunca cair nos opostos do excesso e da ausência, do minimalismo e do histrionismo, Firth ancora com uma segurança quase ofensiva um filme que podia muito rapidamente cair no exercício de estilo estéril.
Mas era preciso que Ford deixasse que isso acontecesse - e rapidamente se percebe que o que interessa ao estilista é contar uma história em vez de fazer pose. Encontrou o elenco ideal para isso (porque não é só Firth que é magnífico, mas também Julianne Moore, divina como há muito não a víamos, ou Matthew Goode) e, no processo, fez uma pequena obra-prima. "Um Homem Singular" pode bem ser um caso único - mas, se o fôr, ainda bem que existe.


Críticas

Relatório e Contas 2009


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8 Maio (sábado) - Extensão IndieLisboa: My childhood + My ain' folk


My childhood, de Bill Douglas
Grã -Bretanha
1972
PB, 45 min




My ain’ folk, de Bill Douglas
Grã -Bretanha
1973
PB, 55 min


O escocês Bill Douglas (1934 -91) realizou nos anos 70 uma obra breve e de grande qualidade artística. Realizados a preto e branco, num estilo sóbrio e intenso, em que alguns viram ecos de Bresson, MY CHILDHOOD (que recebeu o Leão de Prata no Festival de Veneza) e MY AIN FOLK formam as duas primeiras partes do que viria a ser uma trilogia autobiográfica sobre a sua infância e adolescência. Douglas fez questão de usar os mesmos actores para retraçar a sua infância num meio proletário, na Grã -Bretanha dos anos 40. São dois filmes austeros do ponto de vista formal, mas também de grande força emocional, na sua evocação sem sentimentalismos de uma infância num mundo hostil. Um importante realizador a (re)descobrir.

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